Orientação para pareceristas


Foco da Avaliação

Espera-se que os artigos teóricos ou teórico-empíricos submetidos à Revista Teórico-Prático sejam corretos nas seguintes três dimensões e ofereçam uma contribuição em pelo menos uma delas:

  1. Dimensão teórica: O trabalho deve conter um quadro teórico bem desenvolvido e articulado, com conceitos claramente definidos, revisão bibliográfica completa e apropriada e, quando for o caso, hipóteses bem construídas.
  2. Dimensão metodológica: Os dados utilizados devem ser adequados ao teste da(s) hipótese(s) proposta(s); o método de coleta deve ser aderente às técnicas de pesquisa empregadas; o estudo deve possuir validade interna e externa; as técnicas de análise adotadas devem ser apropriadas ao estudo das questões propostas e aplicadas da forma correta. Esta dimensão aplica-se somente aos artigos teórico-empíricos.
  3. Dimensão de conhecimento substantivo da área: o artigo deve incorporar os resultados de pesquisas já existentes na área, estimular reflexões e debates e explicitar suas implicações relevantes para prática e pesquisa em administração.

Os artigos, logo nas primeiras linhas da introdução, devem informar de modo explícito seu objetivo e demonstrar, ao longo do texto, coerência com o objetivo.

Caso a proposta seja avançar na dimensão teórica, recomendamos consultar o artigo O que constitui uma contribuição teórica? (WHETTEN, 2003), disponível no endereço eletrônico http://www.rae.com.br/redirect.cfm?ID=2004. Diretrizes delineadas no texto referido foram resumidas e adaptadas a seguir, consistindo principalmente no endereçamento adequado das seguintes questões:

  1. Quais fatores (variáveis, construtos e conceitos) devem ser considerados para a compreensão do fenômeno em questão? Como estes fatores interagem, mesmo que suas relações não possam ser testadas? Por que se justificam a seleção dos fatores e as relações propostas?
  2. Como e quanto adições e/ou subtrações de fatores a modelos teóricos já existentes sobre o tema podem alterá-los substancialmente?
  3. Quais perspectivas de outros campos de estudo desafiam os fundamentos que suportam as teorias mais difundidas sobre o fenômeno em análise?
  4. Quais elementos contextuais e temporais delimitam fronteiras de generalização e constituem o alcance da teoria apresentada? Há explicações para a eventual falta de aplicabilidade da teoria proposta a contextos específicos?
  5. O que há de novo sendo proposto? Quais são as implicações práticas e científicas da lógica que fundamenta o trabalho e das evidências apresentadas?
  1. O artigo trata de um tema pertencente aos interesses de pesquisa contemporâneos dos estudiosos da área?

Redação e Estilo 
Na etapa de elaboração de pareceres, redação e estilo não são o relevante, pois os trabalhos passam por extensas edições e revisões dos textos quando aprovados para publicação. Neste contexto, é necessário apenas decidir se os textos atendem a padrões mínimos de redação e estilo que não impliquem esforços excessivos de pareceristas, editores e autores para que se tornem publicáveis. Assim, problemas menores não precisam ser endereçados na etapa de avaliação de textos. 

Conteúdo de Pareceres
Preferencialmente, pareceres devem valorizar pontos fortes dos trabalhos ao mesmo tempo em que devem evidenciar as contribuições dos avaliadores ao artigo, o que pode ser realizado por meio de sugestões, discussões e questionamentos pontuais.

Observações efetivas são afirmativas, muitas vezes incluindo transcrições de trechos dos trabalhos, com comentários e apontamentos de páginas e parágrafos com as respectivas necessidades e formas de aprimoramento.

A indicação de bibliografias úteis é de grande valia ao processo de aperfeiçoamento teórico e empírico dos artigos. Assim, a recomendação de referências específicas, com informações completas, é muito bem-vinda.

 

Recusa de Trabalhos 
Os pareceristas não precisam se inibir quando julgarem que devem recusar um artigo. O prolongamento dos processos de avaliação de trabalhos sem chances de publicação é desgastante e sem benefícios para autores, avaliadores e editores. Com o intuito de auxiliar a decisão de rejeição, listamos a seguir situações comuns que a justificam.

1. Ausência de contribuição efetiva em alguma dimensão relevante (teórica, empírica ou de conteúdo).

2. Ausência de proficiência em qualquer dimensão relevante (teórica, empírica e de conteúdo).

3. O investimento necessário para tornar o artigo publicável ultrapassa o nível de esforço razoável por parte de autores, avaliadores e editores.

4. Atendimento insatisfatório de sugestões demandadas nas diferentes versões dos trabalhos.

5. Justificativas insuficientes para o não atendimento de sugestões.

 

Referência
WHETTEN, D. A. O que constitui uma contribuição teórica? RAE-Revista de Administração de Empresas, v. 43, n. 3, p.69-73, 2003. (apud RAE, 2010).